O sol vermelho brilha, queimando tudo que esta sob seu domínio, num cremar purificador das mazelas da vida.
O horizonte esta vermelho, parece fritar a areia das dunas, o calor faz evaporar da areia quente, imagens caprichosas que aumentam os desejos de quem observa.Um casal silencioso, caminha incansavelmente, sem noção do tempo transcorrido, na busca da imagem que um dia a mulher vislumbrou num sonho.
Ise, a mulher conduzida que busca por seu sonho; caminha lado a lado, com um beduíno misterioso; os dois caminham sem rumo por entre as dunas do deserto. O cansaço se faz visível e o corpo feminino queda, obrigando aos dois a pararem por algum tempo.
Antes do anoitecer, retomam a caminhada.
Caminham em silêncio sem cruzarem se quer um olhar, ao escurecer parariam, qualquer que fosse o lugar.
A noite chega trazendo a exaustão, Ise e o beduíno, podem avistar ao longe um casebre como se fosse uma taberna no meio do nada. Os dois trocam um olhar amedrontado e esperançoso, já que tinham medo de que fosse mais uma miragem, mesmo assim caminham silenciosamente, em linha reta até o casebre.
Chegam a pequena construção de pedra, suja, quente, perdida no meio do nada, cercada apenas por areia e calor.
Os dois andarilhos entram na taberna para descansar, já que estavam no limite de suas esperanças. Naquele instante a prioridade era água e descanso.
Jonek, o beduíno misterioso que acompanhava Ise, como um amoroso guardião, entra na taberna e pede educadamente.
- Senhor, por favor, uma jarra de água fresca. Minha companheira precisa repor suas forças.
O homem não responde e saí vagarosamente, para o interior daquele local sombrio e infinito.
O calor no interior do recinto é insuportável, não há janelas ou qualquer abertura que permita a renovação do ar; o ambiente sufocante incomoda Ise, que caminha para fora do recinto e senta-se abaixo da tenda (tecido) que havia na entrada da taberna.
O cansaço vence Ise, que adormece no chão sem incomodar-se com a friagem da noite.
Jonek, caminha para junto de Ise, enquanto aguardava a tão desejada jarra água, que sabe não receberá. Após algum tempo, o beduíno misterioso adormece junto ao corpo de Ise.
O dia amanhece e a claridade traz um novo vigor para os andarilhos. Ise acorda e ao abrir os olhos. De sua posição privilegiada, pode contemplar a visão que tanta buscava. No alto de uma duna; ali, diante de seus olhos, estava a sua Pirâmide Flutuante.
Ise, tem a confirmação de que estava certa, havia encontrado seu tesouro. Não era uma miragem ou sonho, era real tudo que estava enxergando.
O corpo de Ise treme, o coração bate acelerado e a voz antes sufocada, pode gritar.
- Jonek!
- Jonek! Olhe a nossa pirâmide.
Imediatamente, Ise se põem de pé e permanece por um longo tempo a contempla-la.
Os dois abandonam o casebre e caminham silenciosamente em direção a Pirâmide Flutuante.
O taberneiro ao constatar a continuidade da caminhada do beduíno e sua companheira, grita.
- Beduíno!
Jonek, olha pará trás e para, esperando a proximidade do taberneiro.
- Tenham cuidado com a Pirâmide Flutuante, este é seu nome, pelo fato de um dos lados de sua base estar fora da areia; fato sem explicação, parece que ela esta acima da areia. Dizem que espera por seus donos. Só continuem esta caminhada, se souberem realmente o que estão procurando.
- Obrigado senhor. Agradece Jonek, o beduíno misterioso.
O casal agradece com um aceno e continuam caminhando em direção a magnífica Pirâmide. Caminham lado a lado, já que uma força misteriosa os unia, até chegarem em frente ao tesouro de suas vidas.
Em frente ao monumento, espantosamente, reencontram o grande lago.
Jonek e Ise, dão as mãos e olham-se de forma profunda. De mãos dadas caminham em direção ao lago e mergulham.
O lago leva a um túnel submerso que conduz os dois, com muito sacrifício, a entrada secreta da Pirâmide.
Jonek, dá um impulso, saí da água e estende a mão para ajudar Ise a subir. Os dois chegam a um chão seco, localizado no interior da Pirâmide, finalmente , a entrada.
Ise, percebe que há claridade e ar fresco, o que renova as forças do casal; após um pequeno período de descanso.
Refeitos, o casal levanta e caminha por entre os corredores; entram nas câmaras e buscam a sala secreta.
Os corredores e câmaras são intermináveis, mesmo assim o casal segue silenciosamente, até que chegam a sala tão procurada.
A sala das Pedras Transparentes.
Esta sala tem o chão e as paredes brilhantes e transparentes (*) , abaixo do chão e das paredes há muitas figuras. São desenhos com formas de fisionomia (**), que estão abaixo desta película brilhante.
Ise, caminha por entre os desenhos, até que pode encontrar o seu próprio desenho e mais adiante, encontra outros desenhos, onde ela está ao lado de Jonek, em várias cerimônias religiosas.
Aquela visão faz com que Ise, chore.
Naquele instante, o medo se apodera da acompanhante do beduíno, ela tenta fugir, buscando uma saída, pois sabe que esta vencida., não haverá mais luta, dor ou saudade. Apavorada; corre tentando encontrar uma saída, até que pode localizar uma abertura no canto esquerdo da sala brilhante. A abertura não é uma janela, embora permita que Ise observe todo o cenário exterior, onde havia sofrido muito.
Ise, pensa em pular, apesar da enorme altura; a mudança brusca, embora desejada e procurada, causalhe medo, porém Jonek, carinhosamente grita.
- Ise! Acabou, não há mais dor, abandono ou lágrimas. Venha! Você conseguiu; nós conseguimos, eu estive todo o tempo ao seu lado, acredite.
Neste instante, Ise reconhece no beduíno misterioso, o seu grande amor; aquela voz repleta de amor que tanto desejou ouvir, a voz de seu amado penetra no coração petrificado de Ise , que saí do casulo tenebroso em que viveu e sem medo, caminha em direção de Jonek; enquanto caminha, pode relembrar vários momentos felizes junto de Jonek, seu grande amor. Num gesto de extremo amor, os dois se abraçam, quebram todos os preconceitos e se fundem num único ser.
Finalmente, Ise e Jonek, entregam-se a eternidade, e a Pirâmide Flutuante transforma-se em areia do deserto.
Elise Schifffer
(*) - material que dá uma noção de algo como cristal ou vidro, embora não seja nenhum dos dois, ou qualquer outro material conhecido pelo homem – é uma ilustração apenas para que o leitor possa imaginar o cenário.
(**) - retratos.
