domingo, 19 de abril de 2026

A pirâmide flutuante












O sol vermelho brilha, queimando tudo que esta sob seu domínio, num cremar purificador das mazelas da vida. 

O horizonte esta vermelho, parece fritar a areia das dunas, o calor faz evaporar da areia quente, imagens caprichosas que aumentam os desejos de quem observa. 
Um casal silencioso, caminha incansavelmente, sem noção do tempo transcorrido, na busca da imagem que um dia a mulher vislumbrou num sonho. 
Ise, a mulher conduzida que busca por seu sonho; caminha lado a lado, com um beduíno misterioso; os dois caminham sem rumo por entre as dunas do deserto. O cansaço se faz visível e o corpo feminino queda, obrigando aos dois a pararem por algum tempo. 
Antes do anoitecer, retomam a caminhada.
Caminham em silêncio sem cruzarem se quer um olhar, ao escurecer parariam, qualquer que fosse o lugar. 
A noite chega trazendo a exaustão, Ise e o beduíno, podem avistar ao longe um casebre como se fosse uma taberna no meio do nada. Os dois trocam um olhar amedrontado e esperançoso, já que tinham medo de que fosse mais uma miragem, mesmo assim caminham silenciosamente, em linha reta até o casebre. 
Chegam a pequena construção de pedra, suja, quente, perdida no meio do nada, cercada apenas por areia e calor. 
Os dois andarilhos entram na taberna para descansar, já que estavam no limite de suas esperanças. Naquele instante a prioridade era água e descanso. 
Jonek, o beduíno misterioso que acompanhava Ise, como um amoroso guardião, entra na taberna e pede educadamente. 

- Senhor, por favor, uma jarra de água fresca. Minha companheira precisa repor suas forças. 

O homem não responde e saí vagarosamente, para o interior daquele local sombrio e infinito. 
O calor no interior do recinto é insuportável, não há janelas ou qualquer abertura que permita a renovação do ar; o ambiente sufocante incomoda Ise, que caminha para fora do recinto e senta-se abaixo da tenda (tecido) que havia na entrada da taberna. 
O cansaço vence Ise, que adormece no chão sem incomodar-se com a friagem da noite. 
Jonek, caminha para junto de Ise, enquanto aguardava a tão desejada jarra água, que sabe não receberá. Após algum tempo, o beduíno misterioso adormece junto ao corpo de Ise. 
O dia amanhece e a claridade traz um novo vigor para os andarilhos. Ise acorda e ao abrir os olhos. De sua posição privilegiada, pode contemplar a visão que tanta buscava. No alto de uma duna; ali, diante de seus olhos, estava a sua Pirâmide Flutuante. 
Ise, tem a confirmação de que estava certa, havia encontrado seu tesouro. Não era uma miragem ou sonho, era real tudo que estava enxergando. 
O corpo de Ise treme, o coração bate acelerado e a voz antes sufocada, pode gritar. 

- Jonek!
- Jonek! Olhe a nossa pirâmide. 

Imediatamente, Ise se põem de pé e permanece  por um longo tempo a contempla-la. 
Os dois abandonam o casebre e caminham silenciosamente em direção a Pirâmide Flutuante. 
O taberneiro ao constatar a continuidade da caminhada do beduíno e sua companheira, grita. 

- Beduíno! 

Jonek, olha pará trás e para, esperando a proximidade do taberneiro. 

- Tenham cuidado com a Pirâmide Flutuante, este é seu nome, pelo fato de um dos lados de sua base estar fora da areia; fato sem explicação, parece que ela esta acima da areia. Dizem que espera por seus donos. Só continuem esta caminhada, se souberem realmente o que estão procurando. 
- Obrigado senhor. Agradece Jonek, o beduíno misterioso. 

O casal agradece com um aceno e continuam caminhando em direção a magnífica Pirâmide. Caminham lado a lado, já que uma força misteriosa os unia, até chegarem em frente ao tesouro de suas vidas.  
Em frente ao monumento, espantosamente, reencontram o grande lago. 
Jonek e Ise, dão as mãos e olham-se de forma profunda. De mãos dadas caminham em direção ao lago e mergulham. 
O lago leva a um túnel submerso que conduz os dois, com muito sacrifício, a entrada secreta da Pirâmide. 
Jonek, dá um impulso, saí da água e estende a mão para ajudar Ise a subir. Os dois chegam a um chão seco, localizado no interior da Pirâmide, finalmente , a entrada. 
Ise, percebe que há claridade e ar fresco, o que renova as forças do casal; após um pequeno período de descanso. 
Refeitos, o casal levanta e caminha por entre os corredores; entram nas câmaras e buscam a sala secreta. 
Os corredores e câmaras são intermináveis, mesmo assim o casal segue silenciosamente, até que chegam a sala tão procurada. 
A sala das Pedras Transparentes. 
Esta sala tem o chão e as paredes brilhantes e transparentes (*) , abaixo do chão e das paredes há muitas figuras. São desenhos com formas de fisionomia (**), que estão abaixo desta película brilhante. 
Ise, caminha por entre os desenhos, até que pode encontrar o seu próprio desenho e mais adiante, encontra outros desenhos, onde ela está ao lado de Jonek, em várias cerimônias religiosas. 
Aquela visão faz com que Ise, chore. 
Naquele instante, o medo se apodera da acompanhante do beduíno, ela tenta fugir, buscando uma saída, pois sabe que esta vencida., não haverá mais luta, dor ou saudade. Apavorada; corre tentando encontrar uma saída, até que pode localizar uma abertura no canto esquerdo da sala brilhante. A abertura não é uma janela, embora permita que Ise observe todo o cenário exterior, onde havia sofrido muito. 
Ise, pensa em pular, apesar da enorme altura; a mudança brusca, embora desejada e procurada, causalhe medo, porém Jonek, carinhosamente grita.

- Ise! Acabou, não há mais dor, abandono ou lágrimas. Venha! Você conseguiu; nós conseguimos, eu estive todo o tempo ao seu lado, acredite. 

Neste instante, Ise reconhece no beduíno  misterioso, o seu grande amor; aquela voz repleta de amor que tanto desejou ouvir, a voz de seu amado penetra no coração petrificado de Ise , que saí do casulo tenebroso em que viveu e sem medo, caminha em direção de Jonek; enquanto caminha, pode relembrar vários momentos felizes junto de Jonek, seu grande amor. Num gesto de extremo amor, os dois se abraçam, quebram todos os preconceitos e se fundem num único ser. 
Finalmente, Ise e Jonek, entregam-se a eternidade, e a Pirâmide Flutuante transforma-se em areia do deserto. 

Elise Schifffer 

(*) - material que dá uma noção de algo como cristal ou vidro, embora não seja nenhum dos dois, ou qualquer outro material conhecido pelo homem – é uma ilustração apenas para que o leitor possa imaginar o cenário. 
(**) - retratos.

sábado, 18 de outubro de 2025

2672 - Sonhos

 


Elevar os sonhos

Até que cheguem nas nuvens,

Soprar os pecados

Para subirem aos céus.


Pecados pesados,

Respingam das nuvens,

Ao tentarmos resgata los,

Escorrem por entre os dedos.


Sonhos sobem, pecados caem, 

Penetrando na terra desértica 

Onde culpa e arrependimento,

Tentam perdão é absolvição.


O sopro da esperança 

Eleva se até as nuvens,

Dá volta ao mundo

E retorna com os velhos sonhos.


Nuvens se refazem dia a dia,

Velhos sonhos sobem

Aos céus incansavelmente 

E os pecados garoam.


Sonhos sobem sem fé.

Pecados caem com culpa.

A garoa dos pecados

Umidecem olhos arrependidos.


A água que vem dos céus,

Resgata da terra desértica,

Sonhos e pecados decaidos

No ciclo mágico da vida.


Terra e céu

Permanecem ligados.

Levando, trazendo, resgatando,

Sonhos e pecados para evolução.


Elise Schiffer

O pássaro Azul

O pássaro azul 

(assim são os escritores independentes)


Houve um pássaro  que voava para vários lugares se achando azul.

Ele se via azul.

Fechava os olhos e se via azul.

Os outros pássaros sabiam que ele não era azul, mas não falavam nada, apenas o chamavam de azul.

O tempo passou...

Um dia o pássaro azul encontrou um bando de pássaros azuis e quis juntar se a eles.

Neste dia ele descobriu que não era azul e resolveu afastar se de todos.

A tristeza tomou conta dos seus dias embora ele se sentisse azul.

O pássaro azul viveu sentido se azul até seu último voo.

O tempo correu e ainda hoje os pássaros cometam do belo pássaro azul que conheceram. 


Elise Schiffer  -  25/04/2018

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Sal da terra

 








A menina de pés no chão saiu do interior com seu coração humilde e bondade nas mãos.
Seus desejos eram dominados e direcionados para a estrada da cultura.
Hoje a menina de pés de chão é uma mulher simples, humilde e cheia de sonhos, que mudou o sabor de sua vida.
A grande transformação do amargo num novo sabor, é o segredo que os livros ensinam a todos que desejam ser SAL DA TERRA.
Elise Schiffer
08/08/2015

terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

A blusa azul ( com adento ao final)







A blusa azul.

Já fui de mangas compridas e brilhei em festa de gala, rodopiando no salão ao som de uma valsa. 

Fui molhada com lágrimas de felicidade na festa de quinze anos da filha de minha dona.

No mesmo ano fiquei mais curta no comprimento e nas mangas, o que me tornou mais leve e jovial para uma manhã, sob o sol de dezembro, marcando presença na formatura do primogênito da minha dona, novamente fui molhada com lágrimas,   desta vez eram de orgulho.

Desde então tenho marcado presença em todas as ocasiões especiais, aniversários, batizados, casamentos, funerais e reuniões. Estou sempre pronta e bonita para que minha dona brilhe e nós duas possamos formar uma imagem harmônica.

Minha última presença foi na formatura do curso universitário da sua filha, mais uma vez fui molhada com suas lágrimas de alegria e orgulho. 

Sinto-me muito honrada por todas as lágrimas que absorvi, já que as fiz minhas também, quer fossem de alegria, orgulho ou dor. 

Sou feliz pelos cuidados que recebo da minha dona e por saber que não sou uma peça velha ou fora de época, pelo contrario, sou uma peça que completa e valoriza minha dona, além de ajudar o planeta. Mesmo que de forma infinitamente pequena.

Sou parte integrante da família há muitos anos e afirmo que conheço a todos, acompanhando cada conquista ou perda.

Eu sou com muito orgulho, a Blusa Azul da minha dona.

Elise Schiffer

Adento literário 
Texto -  A blusa azul.
Continuidade de uma parceria entre a blusa azul e sua dona.

...
Eu sou a blusa azul.
Mais uma vez, fui honrada em estar lado a lado com minha dona. União harmônica em imagem social e no conforto corpo versos vestimenta.

Nossa caminhada de vinte e dois anos juntas, não nos envelheceu, apenas aprimorou nossa beleza. Assim fui premiada com participação em mais um novo evento, de alegrias e orgulho. Evento que fez me ser lembrada, colocada ao sol e vestida com amor.
A colação de grau do caçula de minha dona.

Novamente absorvi lágrimas de orgulho e felicidade. 
Meu corpo feito de tecido azul, guarda a energia de cada lágrima, que minha dona derramou sobre mim e eu orgulhosa, a visto com todo primor.

Nossa união, cuidados e respeito, nos tornam companheiras para todos os momentos especiais, sejam alegres ou não. Participei de feiras literárias,  entrevistas a TV e muito mais.

Eu a blusa azul estou honrada com nossa caminhada e se me for permitido, acompanharei minha dona com muito orgulho, no seu momento derradeiro.

Elise Schiffer